domingo, 6 de maio de 2012

O SEGREDO DAS LENTES TRANSITIONS®


O SEGREDO DAS LENTES TRANSITIONS®
Regina Aparecida Capeli
re_capelli@hotmail.com


As lentes do tipo transitions® são as chamadas lentes fotossensíveis. Atualmente, estima-se que cerca de 5% do mercado total de lentes oftálmicas vendidas no Brasil é de fotossensíveis e fotocromáticas, um número pequeno se comparado aos Estados Unidos, onde cerca de 15% das vendas é desse tipo de lente.
A diferença entre fotocromáticas e fotossensíveis está no material da lente e no modo como é feito o tratamento. Convencionou-se chamar de fotocromáticas as lentes minerais e de fotossensíveis as lentes orgânicas. Na lente fotocromática (ou foto-orgânica) o material é inserido na massa. Na lente fotossensível, o tratamento é uma película que reveste a parte externa da lente.
As lentes fotocromáticas ou fotossensíveis mais do que um recurso utilizado com finalidade estética ou para proporcionar conforto aos usuários de óculos, têm importantes indicações médicas. Seu uso é mais que adequado, pois a radiação ultravioleta (UV), oriunda do sol, chega à superfície da terra com comprimentos de onda de 280 a 380nm e além de causar queimadura de pele, envelhecimento e câncer, causa lesões oculares. Assim, seu uso pode reduzir ou retardar a ocorrência de pterígio, catarata e degeneração macular relacionada à idade.
Existem três tipos de radiação ultravioleta: a UV A (315 a 380 nm) utilizada para ornamentação em festas através da chamada luz negra, a UV B (280 a 315 nm), que afeta a pele, produzindo eritema e pigmentação e contribuindo para a produção de Vitamina D e a UV C (100 a 280 nm) que tem poder germicida. A radiação UV C é absorvida pela camada de ozônio da atmosfera e a que consegue atravessá-la, é filtrada pela córnea. Os raios UV B são filtrados pelo cristalino e os UV A pela retina.
As lentes fotocrômicas/fotossensíveis mudam de cor, quando ativadas pela luz ultravioleta. Portanto, quando expostas à luz solar, elas ficam escuras e em ambiente interno, ou em dias pouco iluminados e à noite, permanecem relativamente claras.
Nas lentes fotocromáticas, os microcristais de prata são distribuídos uniformemente por toda a sua espessura. Ao serem expostos a luz UV, os microcristais se dissociam em partículas de prata livre, que se aglomeram para formar colóides de prata, que absorvem luz, escurecendo as lentes. Quando a exposição cessa, o processo reverte e as lentes ficam claras novamente. O processo de escurecimento desta lente é uma reação de oxirredução onde a reação envolvida consiste em duas fases, a escura e a luminosa. Na fase luminosa, em presença de luz intensa a prata sofre redução e o Cl oxidação. Na fase escura a prata sofre oxidação o Cl e o Cu redução. As reações podem ser assim representadas:


No caso das lentes fotossensíveis (de resina), o material fotocrômico é convertido em corante orgânico, que absorve luz, ocorrendo a mudança de cor. No processo de manufatura, o material fotocrômico é absorvido na superfície da lente até uma profundidade de aproximadamente 0,15 mm.
As lentes fotocromáticas, devido ao fato do material fotocromático estar distribuído em toda a sua espessura e pela própria característica do tratamento em massa, podem apresentar diferenças na intensidade de coloração quando ativadas, sendo mais intensa nas áreas mais espessas (no centro, no caso das lentes positivas e nas bordas, no caso das negativas) e menos intensa nas áreas mais finas. Nas lentes fotossensíveis, a intensidade da coloração é uniforme, porque a camada fotocrômica possui a mesma espessura em toda a sua superfície.
Um dado importante: somente lentes de cristal podem ser fotocromáticas. Todos os outros tipos de materiais são fotossensíveis.
O índice de absorção de luz em ambiente interno e externo pode variar. Por exemplo, 30% em estado não ativado e 85% em estado ativado, ou 15% em ambiente interno (quase clara) e 65% (moderadamente escura) em ambiente externo. As lentes fotocrômicas não ficam completamente claras em ambiente interno. As que escurecem muito, podem à noite, não ficarem suficientemente claras e não serem adequadas para dirigir. A luz fluorescente, típica de muitos escritórios, é rica em radiação UV e nesses ambientes, as lentes fotocrômicas podem permanecer parcialmente escurecidas.
O tratamento anti-reflexo torna as lentes fotocrômicas ligeiramente mais claras em ambiente interno e menos escuras em ambiente externo e a mudança do estado ativado para inativo e vice-versa, pode ser mais lenta. Essa alteração, determinada pelo aumento da transmissão da luz em cerca de 3% é insignificante e não chega a ser percebida pelo usuário. A absorção da luz ultravioleta e a intensidade da coloração das lentes podem variar com a temperatura ambiente, aumentando com a diminuição da mesma. Portanto, as lentes escurecem mais a baixas temperaturas e clareiam mais rapidamente a temperaturas maiores.
Essas lentes têm a sua capacidade de ativação reduzida com o passar do tempo, sendo recomendável a sua troca a cada dois anos. Os cristais fotossensíveis escurecem gradualmente, clareando menos em ambiente interno. Nas lentes fotossensíveis, as moléculas fotossensíveis sofrem uma foto-oxidação perdendo sua fotossensibilidade, tornando as mesmas gradualmente mais claras e escurecendo menos quando expostas à radiação UV.
Com o uso das lentes fotossensíveis/fotocromáticas pode-se ter no mesmo par de óculos as lentes corretivas e solares, com garantia de proteção contra os raios ultravioleta e compatível com tratamentos como anti-reflexo e anti-risco. Com isso, não é preciso carregar dois óculos ou um adicional solar (os conhecidos clip-ons). São as lentes “dois em um”. Prático e eficiente!


Referências Bibliográficas:



Um comentário:

  1. pow, gosteeei!!! so preciso de umas explicações de como isso seria - tipo exemplo diverso, ne... mas ameeei
    agora keru a da lignina e vanilina, dos livros... hehehe

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